A Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos, vinculada à 15ª Delegacia Seccional de Polícia Civil (15ª DSPC), concluiu o inquérito que investigou as mortes do pescador Idelbrando Martiniano Vieira, de 46 anos, e da adolescente Ana Cristina Galdino Ferreira, de 16. Os dois passaram mal na madrugada do dia 1º de fevereiro de 2026, após consumirem bebida alcoólica na Praça do Mutirão, em Patos, no Sertão da Paraíba.
Idelbrando morreu ainda no local, por volta das 5h. Ana Cristina chegou a ser socorrida por terceiros antes da chegada do SAMU e foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Jatobá, mas não resistiu e morreu cerca de 50 minutos depois.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações foram baseadas em depoimentos de testemunhas e na análise de imagens de câmeras de segurança, que ajudaram a reconstituir a dinâmica da ocorrência.
Segundo o delegado Claudinor Lúcio, a bebida consumida pelas vítimas teve origem identificada. Por volta das 4h50, o grupo que estava reunido na praça ficou sem bebida alcoólica. Dois adolescentes saíram em busca de mais bebida em uma conveniência próxima, mas o estabelecimento estava fechado. Eles então foram até a casa de um dos adolescentes, de 15 anos, que afirmou ter uma garrafa de “Conhaque Dreher ”guardada.
O adolescente retornou ao local com uma garrafa plástica pequena, conhecida como “pitulinha”, contendo um líquido esverdeado. Ao chegar, colocou a garrafa sobre a mesa. Idelbrando foi o primeiro a se servir e ingerir a substância. Poucos segundos depois, apresentou mal-estar. Em seguida, Ana Cristina também consumiu o líquido.
As imagens mostram que outras pessoas chegaram a cheirar a bebida e estranhar o odor. O conteúdo acabou sendo descartado.
Exames descartam metanol
Inicialmente, houve a suspeita de que as mortes poderiam ter causas distintas, incluindo overdose ou intoxicação por metanol. No entanto, os exames periciais descartaram essa hipótese.
De acordo com o chefe do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), Dionísio da Costa, os laudos tanatoscópicos apontaram sinais semelhantes nos dois corpos. Amostras de órgãos foram enviadas para análise toxicológica.
A perita oficial de Química Legal, Mirela Quirino, informou que foi identificada a presença de metomil, um inseticida altamente tóxico do grupo dos carbamatos. Também foi detectado etanol, mas não houve identificação de metanol nas análises.
Segundo os peritos, o metomil provoca uma síndrome colinérgica, que pode causar depressão dos sistemas nervoso, respiratório e cardiovascular, levando à morte de forma rápida, especialmente quando ingerido por via oral.
A investigação aponta que o adolescente de 15 anos foi o responsável por buscar e levar a garrafa com a substância até a praça. O pai do jovem confirmou em depoimento que o líquido armazenado na garrafa era um veneno utilizado para controle de insetos.
Ainda conforme a Polícia Civil, não houve indícios de que o adolescente tivesse intenção de provocar a morte das vítimas. Segundo os investigadores, ele acreditava que a garrafa continha bebida alcoólica e chegou a ingerir pequena quantidade do líquido, também demonstrando estranhar o gosto.
Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público, que deverá adotar as medidas cabíveis no âmbito da Infância e Juventude.
Por Pabhlo Rhuan

