O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), começa a ceder diante da pressão de partidos do Centrão e já admite discutir a proposta de anistia para investigados pelos atos de 8 de janeiro, mas apenas depois da conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para encerrar em 12 de setembro.
A movimentação ganhou força após articulações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca se consolidar como principal nome da oposição na corrida presidencial de 2026. Em reunião com líderes partidários na terça-feira (2), Motta reconheceu o crescimento da cobrança pela pauta. “Os líderes estão cobrando, estamos avaliando e temos que conversar mais. Aumentou o número de líderes pedindo”, afirmou.
Tarcísio conversou por telefone com o presidente da Câmara e também se reuniu com Marcos Pereira, dirigente nacional do Republicanos, para acelerar o debate. O governador paulista chegou a prometer publicamente que, caso eleito presidente da República, concederia indulto a Jair Bolsonaro como “primeiro ato”. A declaração ocorreu em meio a críticas da própria família Bolsonaro sobre articulações de uma possível chapa de centro-direita sem a presença do ex-presidente.
No Congresso, bancadas do União Brasil, PP e Republicanos lideram a pressão para que o projeto seja pautado, enquanto até deputados governistas reconhecem que a discussão ganhou fôlego. Apesar disso, Motta descartou colocar a proposta em votação nesta semana, indicando que o assunto voltará a ser debatido em nova reunião de líderes, prevista para amanhã ou na próxima terça-feira.
Enquanto aliados de Bolsonaro pressionam pela votação, parlamentares do PT consideram o movimento precipitado. “Cresceu o movimento com a presença do governador de São Paulo em Brasília, mas isso é um equívoco”, disse o líder petista Lindbergh Farias (RJ).
No Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exaltou a atuação de Tarcísio: “Ele é leal ao Bolsonaro. Espero que possamos, nos próximos dias, entregar esse projeto de anistia. Ele tem mergulhado de cabeça nisso”.
As falas de Tarcísio também provocaram reação no governo federal. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, criticou a declaração do governador de que não confia na Justiça. “É lamentável ver um governador dizer que não crê na Justiça. Ele próprio só está no cargo porque a Justiça Eleitoral validou sua eleição”, afirmou.


